Em novo livro, o jornalista americano Tom Mueller revela como os maiores produtores do mundo ganham muito dinheiro misturando óleos de variados tipos com o caro azeite de oliva. Adulteração também ocorre no Brasil.Em agosto de 1991, um cargueiro turco levou 22 toneladas de óleo de amêndoas do porto de Ordu, na Turquia, à região de Puglia, no sul da Itália. Os documentos oficiais diziam que o navio trazia o mais puro azeite de oliva grego. Possivelmente com a ajuda de oficiais, o óleo de amêndoas passou pela alfândega e foi entregue à refinaria de Riolio, um produtor de azeite italiano. Misturado ao produto legítimo, foi vendido para o comércio local como azeite de oliva da mais nobre categoria: extravirgem.
O caso do cargueiro turco integra um milionário esquema de adulteração de azeite montado na Itália, um dos maiores consumidores do produto no mundo. Os bastidores das fraudes são descritos com detalhes pelo jornalista americano Tom Mueller no livro Extra Virginity: The Sublime and Scandalous World of Olive Oil, publicado em dezembro de 2011, ainda sem edição brasileira. Doutor em história medieval pela Universidade de Oxford, Mueller escreve para grandes veículos americanos, como as revistas The New Yorker e National Geographic, e para o jornal The New York Times.
No livro, que mistura cultura gastronômica com reportagem, Mueller aponta os dois principais vilões da indústria do azeite italiano: Leonardo Marseglia, um dos maiores importadores do país, acusado de falsificar documentos para burlar impostos e vender óleos feitos fora da Europa como se fossem italianos; e Domenico Ribatti, um dos mais importantes atacadistas do mundo, que já foi preso por, entre outras coisas, fraudes como a descrita no início do texto: vender óleo de amêndoas da Turquia como azeite de oliva.


